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Resumo da História
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Marconi em Lisboa: da introdução da TSF à criação da CPRM

1. Radiotelegrafia e Ciência – comunicar sem fios
2. Marconi em Lisboa – T.S.F. em projecto
3. Marconi em Portugal – continuidade experimental
4. O nascimento de uma rede mundial
5. Uma "tripla rede" Marconi


1. Radiotelegrafia e Ciência – comunicar sem fios
Nascido a 25 de Abril de 1874, o jovem inventor Guglielmo Marconi obteve em 1895 os primeiros resultados práticos com ondas hertzianas sobre um novo meio de comunicação. A partir do sótão de sua casa, em Bolonha, o prémio Nobel da Física de 1909 marcou o universo experimental da T.S.F., traçando os primeiros capítulos da história da empresa a que deu nome. Leitor assíduo de revistas científicas especializadas e aluno atento das aulas do professor Rosa em Livorno, Marconi perfilou-se como um autodidacta cujo espírito empreendedor permitiu constituir a mais importante rede de radiocomunicações mundial. Partindo para Inglaterra em 1896, ano em que registou a sua primeira patente de invenção em T.S.F. com o n.º 12 039, o inovador italiano obteve o apoio financeiro necessário à conquista do mercado das comunicações sem fios. Nos anos seguintes os seus ensaios científicos superaram a barreira da distância, ultrapassando o Atlântico em Dezembro de 1901.

O sistema marconiano invadiu os primeiros anos do novo século numa franca revolução tecnológica, permitindo, pela primeira vez na história, combater o isolamento dos navios no mar e ligar os cinco continentes independentemente de ligações físicas. Anunciava-se então uma malha invisível de comunicações sob a assinatura de Marconi.

2. Marconi em Lisboa – T.S.F. em projecto
No dia 23 de Maio de 1912, uma larga audiência proveniente de todos os quadrantes da sociedade portuguesa, presenciou na Sala de Portugal da Sociedade de Geografia de Lisboa a conferência de um convidado especial. O inventor Marconi chegara à capital portuguesa no dia anterior a fim de realizar a primeira de três visitas ao nosso País. No auditório da intervenção de Marconi encontrava-se o futuro primeiro presidente da Companhia portuguesa, António Centeno. Descrevendo a evolução do seu sistema radiotelegráfico desde os tempos de Bolonha, o cientista italiano marcou a imprensa e a opinião pública da época, assinalando-se, no mesmo ano, o primeiro contrato realizado entre a sua empresa, a Marconi’s Wireless Telegraph Company, Ltd. e o Governo português. Este acordo previa o fornecimento de estações de T.S.F. Marconi para ligação entre Portugal continental, Açores, Madeira e Cabo Verde.

3. Marconi em Portugal – continuidade experimental

A aproximação dos tempos da I Guerra e as dificuldades financeiras do Tesouro nacional ditaram o adiamento do contrato de 1912 e, por consequência, da construção da rede portuguesa de radiocomunicações. O sistema Marconi, adoptado oficialmente pela marinha portuguesa em 1910 com a montagem do posto T.S.F. da Casa da Balança, viria então a ser desenvolvido pelas inovações tecnológicas decorrentes do próprio contexto bélico. Entre as novas capacidades das comunicações sem fios contavam-se a onda curta, de maior alcance e rentabilidade, e a radiotelefonia. Confirmada a paz, proporcionou-se um novo acordo entre Portugal e a companhia britânica de Marconi.

Em Abril de 1920, a bordo do seu iate Ellettra que servia de laboratório experimental, G. Marconi ancorou em Lisboa, descrevendo uma nova etapa científica. As comunicações radiotelefónicas foram então experimentadas entre o inventor e o oficial de Marinha João Júdice de Vasconcelos que cinco anos mais tarde viria a integrar a administração da Marconi portuguesa. Em 1922, um segundo contrato para construção da rede de T.S.F. nacional, alargado a todas as colónias portuguesas do continente africano, entregou à Marconi’s Wireless o direito de montagem das respectivas estações e, simultaneamente, a responsabilidade de constituir uma companhia nacional que assegurasse a exploração daquela malha de radiocomunicações. Na génese deste acordo estaria a Companhia Portuguesa Rádio Marconi (C.P.R.M.).

4. O nascimento de uma rede mundial
Os estatutos da nova empresa baptizada por G. Marconi foram publicados em Julho de 1925, dando início à actividade preparatória das comunicações sem fios entre Portugal e o resto do Mundo. Em Dezembro do ano seguinte a C.P.R.M. inaugurou os primeiros circuitos, ligando via rádio o triângulo Continente, Açores e Madeira. Alguns meses mais tarde, seria a vez de fazer comunicar Lisboa com Madrid, Paris e Berlim, o Brasil e as colónias portuguesas de Cabo Verde, Angola e Moçambique.

Em pleno funcionamento da empresa portuguesa, Marconi encerrou este primeiro período de instalação das radiocomunicações do País por uma última visita, cumprida em Setembro de 1929. O inventor e empresário italiano conheceu finalmente o centro de operações na nova companhia, remetendo para Londres, via rádio directa as boas impressões recolhidas junto das estações portuguesas.

5. Uma "tripla rede" Marconi
A morte de Guglielmo Marconi, a 20 de Julho de 1937, concluiu de algum modo o ciclo original de inovação científica no quadro das comunicações sem fios. As inúmeras companhias legadas pela Marconi’s Wireless um pouco por todo o Mundo e o próprio traçado mundial de T.S.F. erguido pela persistência dos empreendedores marconianos, testemunham a herança tecnológica e empresarial do projecto imaginado pelo seu inventor, num cenário experimental que recua a Bolonha e ao ano de 1895.

Ao longo da década de 30 Portugal assistiu à transformação profunda do clima político e económico nacional, orientado para o regime de autarcia, nacionalista e colonial, onde a rede de telecomunicações constituiu eixo estratégico das ligações entre o continente e os arquipélagos dos Açores e Madeira, os territórios coloniais e a rede mundial. Neste contexto, a Companhia Portuguesa Rádio Marconi conheceu nova orientação, condicionada pela política do Estado Novo face ao capital privado, contornando embora algumas barreiras ao desenvolvimento tecnológico e comercial das radiocomunicações do País. Acompanhando a transição da ditadura salazarista para a Democracia, a Marconi portuguesa assumiu-se, nas décadas de 70 a 90, como parceiro nos principais investimentos e ligações internacionais, em contínua inovação.

Em 1995 a Portugal Telecom adquiriu integralmente o capital da C.P.R.M., concluindo o processo de fusão no ano de 2002, deixando para a história das telecomunicações portuguesas do século XX a memória dos primeiros circuitos de T.S.F..

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