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Marconi em Portugal – O primeiro contrato
05-07-1912
Parecer da comissão de correios e telégrafos e indústrias eléctricas sobre os termos do contrato provisório com a Marconi’s Wireless Telegraph Company, Ltd.
Diário da Câmara dos Deputados, Sessão n.º 158, de 5 de Julho de 1912, pp.15-23.
"Senhores Deputados - A vossa comissão de correios e telégrafos e indústrias eléctricas, a quem foi presente o projecto n.° 143-A para vos apresentar um parecer consciencioso e metódico, divide a apreciação do projecto em duas partes:

O estudo da quilometragem ou alcance dos postos ainda o dividimos em duas partes:

1.ª Encarando o lado comercial do projecto; 2.ª Encarando o seu lado militar.

É absolutamente impossível deixar de estudar o problema sob estes dois aspectos, porque o estabelecimento da rede rádio-telegráfica nos portos do Atlântico tem uma importância militar tão capital como a posição dos próprios portos.

Qualquer ilha do arquipélago de Cabo Verde e do dos Açores, que sejam escolhidas pela estação técnica para pontos a fortificar como simples pontos de apoio, carecem de ser dotadas com os postos de telegrafia sem fios que as liguem por uma certa forma, dada a facilidade relativa com que se rocega um cabo submarino, se traz à superfície e se corta.

Não está o Estado em condições monetárias que lhe permitam montar, nos mesmos postos, duas redes de telegrafia sem fios, e se o fizesse seria caso único, pois que, uma simples transformação da rede comercial, adaptam esta à rede militar.

O lado comercial dum projecto de rede de telegrafia sem fios tem de ser subordinado à navegação principalmente, e muito especialmente no nosso caso.

O porto de Lisboa deve subordinar-se não só às questões gerais da navegação, mas também às exigências dum terminus de rede.

A navegação que toca em Lisboa ou passa ao alcance de comunicar com o seu posto podemos dizer que é toda a navegação que do norte da Europa se dirige para o sul do Equador, mar Mediterrâneo e norte de África.

Por outro lado, toda a navegação para o Brasil e Argentina, Guiné, Gabão, Congo, África portuguesa, alemã e inglesa do Sul passam ou tocam em Cabo Verde.

Daqui deduzimos que há a maior vantagem em ligar directamente Lisboa a Cabo Verde por meio da telegrafia sem fios porque, se bem que os navios somente transmitam para os postos a um relativamente reduzido número de quilómetros, os navios estão permanentemente debaixo da acção dos postos recebendo os despachos que da terra mandem para o mar.

Mas ainda mais nos impele para a ligação directa dos dois pontos considerados, o facto de qualquer navio passando ao alcance do seu posto, de Lisboa ou de Cabo Verde, fazer por meio dum deles uma comunicação importante, sem recorrer ao cabo submarino, para o outro posto.
(...)
Tem, no entanto, a vossa comissão bem presentes quais as circunstâncias financeiras do país e por isso vai analisar o mínimo que vos pode propor, dizendo-vos que, com as receites a esperar da rede que vos vai propor, poderá ser elevado lentamente o alcance dos postos, se reservarmos da receita líquida de cada posto uma percentagem para o fim exclusivo do seu aumento.
(...)
De resto o projecto é financeiramente vantajoso, porquanto a telegrafia sem fios está sendo inclusivamente explorada nalguns países por companhias particulares, com o fim meramente comercial.(...)"

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